7 Bichos Exóticos, Venenosos e Estranhos que Mais Ajudam a Ciência

cobra se alimentando de um sapo enorme entre folhas secas

Se há algo em que alguns animais são bons, é matar outros animais - e um dos meios mais furtivos e eficazes de dar o golpe mortal é através de compostos químicos tóxicos que eles injetam nas vítimas. Você já imaginou que essas toxinas feitas para matar também podem garantir uma vida melhor para os seres humanos? Como?: é isso que vamos descobrir ao vermos aqui os 7 bichos exóticos, venenosos e estranhos que mais ajudam a ciência como um todo, mas sobretudo animais que auxiliam a desenvolver a medicina e a criar novas tecnologias.

1) Aranhas ajudando homens a terem ereções

aranha armadeira se preparando para atacar homem
A aranha armadeira é chamada assim por sua posição de defesa: ela se apoia sobre as pernas traseiras e ergue as dianteiras para atacar e inocular seu veneno.

Com o nome científico de Phoneutria nigriventer, esse bicho exótico é também chamada de aranha-de-bananeira por ser constantemente encontrada em cachos de bananas. Seu veneno é extremamente potente e pode causar a morte de pequenos mamíferos, já nos homens  pode provocar ereções involuntárias poderosas e dolorosas (priapismo) que, se não forem tratadas, ocasionarão a necrose do pênis. 

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Funed conseguiram identificar e isolar uma molécula do veneno dessa aranha responsável pelo priapismo, a toxina PnTx(2-6),  e a partir daí sintetizaram o peptídeo PnPP 19. A função desse peptídeo dentro do organismo se mostrou promissora pois não há contra indicações para seu uso, ao contrário do Viagra e o Cialis que não indicados para pessoas com problemas cardiovasculares.

Se tudo ocorrer conforme o planejado, possivelmente um medicamento para aplicação tópica, talvez uma pomada, gel ou adesivo deve chegar ao mercado em 2023.

2) A Jararaca e a pressão alta

serpente medonha andando no meio da grama pronta para atacar
Em 1949, o cientista brasileiro Rocha e Silva isolou uma molécula que é muito concentrada no veneno da jararaca chamada de BPP, e descobriu que ela auxiliava na redução da pressão arterial. A descoberta brasileira foi a base para o desenvolvimento do medicamento Captopril de combate a hipertensão sendo o mais vendido no mundo quando se trata de pressão alta. A molécula BPP ativa uma substância do sangue chamada bradicinina que está associada com a redução da pressão arterial.

3) Sanguessugas "apoiando" a medicina

sanguessugas tentando sugar sangue de mão humana
Este sugador ávido por sangue, que pode comer dez vezes o seu próprio peso corporal, tem sido usado pelo homem há milhares de anos para salvar vidas.

Existem cerca de 650 espécies desses vermes de água doce, mas apenas um, Hirudo Medicinalis, é comumente destinado para uso médico.

Elas tem o mecanismo de morder perfeito: três mandíbulas com centenas de dentes afiados que se alimentam da superfície da pele e soltam anti-coagulantes fazendo o sangue se manter sempre fluindo.

Hoje, as sanguessugas medicinais são usadas após traumas graves para ajudar a fechar feridas e a curar a pele após uma cirurgia plástica. Se você tiver que recolocar um dedo decepado da mão, os médicos repararão as artérias, tendões e músculos, mas as pequenas veias que transportam o sangue de volta ao sistema circulatório permanecem danificadas. O sangue se acumula no polegar recolocado e não tem para onde ir, então você poe a sanguessuga no local para sugar o sangue em excesso até que as veias se recuperem.

4) Monstro de gila e o diabetes

lagarto venenoso monstro de gila andando desengonçado
O monstro de gila (Heloderma Suspectum) é um  lagarto venenoso que vive nos EUA e no México. De um componente de seu veneno extrai-se a exenatida usada em medicamentos para manter níveis saudáveis de glicose nas pessoas com diabetes tipo 2. A droga ainda diminui o apetite ajudando os pacientes a perderem peso.

5) Larvas de insetos que curam feridas

centenas de larvas médicas amontoadas
As larvas são pequenos seres rastejantes que gostam de se deliciar com carne bem doente e necrosada. Quando todos os outros tratamentos fracassam e os pacientes podem sofrer a perda de uma parte do corpo ou a própria vida, esses bichinhos nojentos são convocados para fazer o trabalho que a medicina moderna não conseguiu.

No começo do século 20 as larvas eram um tratamento padrão (bioterapia) para feridas mas com a descoberta dos antibióticos elas entraram em desuso. Nos nossos dias, com as bactérias entrando em mutação e se tornando as perigosas superbactérias resistentes justamente a antibióticos, os médicos estão recorrendo novamente às larvas como última tentativa antes de se amputar um membro.

Apesar de um tanto assustadoras, as larvas de insetos são famintas,estéreis e rápidas em devorar matéria morta. Investindo pouco dinheiro e em pouquíssimos dias elas transformam uma ferida crônica em uma ferida tratável e curável, simplesmente colocando-a para comer seletivamente o tecido morto junto com as indesejáveis bactérias.

6) Cabras fazendo teias de aranha

cabra que produz seda da teia de aranha
Alguém decidiu adequar as propriedades da teia de aranha às necessidades do homem por novas e melhores tecnologias, mas esses aracnídeos tendem a comer umas às outras quando colocadas juntas em grande número. Então, os Biólogos moleculares e outros cientistas encontraram uma solução: fizeram cabras produzirem teia de aranha. O processo consiste em conectar o gene da teia da aranha ao DNA da cabra fazendo ela produzir, somente quando começa a amamentar, a mesma proteína que compõe as teias das aranhas.

Os cientistas chamam a teia da aranha de bio-aço. Assim como nos filmes do Homem-Aranha, a seda da aranha tem uma força super elástica. Se fabricada em grandes quantidades e agrupadas, os pesquisadores dizem que seria forte o suficiente para produzir coletes à prova de balas, cabos de para-quedas ou usar na construção de aeronaves e porta-aviões. A seda de aranha também pode ser usada para fabricar ligamentos e tendões artificiais humanos.

7) Caranguejo Ferradura  "sangue bom"

cientistas coletando sangue azul do caranguejo ferradura
São normalmente encontrados na Baía de Delaware e no Golfo do México, naquelas partes costeiras rasas dos mares sobre a areia e o lodo. Esse bicho estranho da água salgada, é um fóssil que está nos mares desdes 360 mil anos atrás.

Os caranguejos ferradura ou límulo, tem o sangue azul devido a uma substância cheia de cobre em seu sangue que fica azulada na presença de oxigênio.

Talvez, a parte mais valiosa de seu sangue (que chega a valer 15 mil dólares o litro) é um componente químico chamado de L.A.L. (Lisado de Amebócito Limulus) que coagula na presença de toxinas das bactérias perigosas à saúde humana.

A indústria farmacêutica utiliza essa propriedade do LAL do sangue do límulo para verificar a esterilidade ou seja, se vacinas, marcapassos, medicamentos, agulhas, próteses, etc, estariam contaminadas por micro-organismos nocivos. Sem dúvidas o caranguejo ferradura é o animal que mais salvou vidas humanas.


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