A LENDA DA STREGA: A GAROTA BRUXA DE CURITIBA


strega, a bruxa italiana de Curitiba segurando um livro de feitiços

Em meados do século dezenove um navio cheio de italianos parou em Paranaguá, cidade localizada no Litoral do Paraná. A maioria destes imigrantes foi para Curitiba com o objetivo de trabalhar na lavoura. Assim, nesta cidade, por morarem aglomerados em uma única parte do município, eles deram origem a um bairro chamado Santa Felicidade. No meio destes imigrantes havia uma moça por nome Constantina cuja mãe, dona Lola, sempre lhe fazia essa observação:

- Você precisa se preparar nas artes ocultas da feitiçaria, Lola, porque você é uma strega, uma legítima bruxa  italiana. Sempre se lembre que ninguém se torna uma strega, pois isto é um dom que o mestre deu à nossa família desde nossos antepassados celtas. Não corra disso. Este é o seu destino e jamais se esqueça de que o castigo de uma strega que nega o seu dom é ser moça de dia e transformar-se dolorosamente em idosa no período da noite.

No entanto Constantina não queria ser uma feiticeira, pois enxergava grandes  problemas  nisso tudo e achava que bruxaria era coisa do mal. Porém, mesmo assim, ela notava que era diferente das outras garotas uma vez que conseguia falar com parentes falecidos, tinha sonhos estranhos, premonições e uma habilidade incrível de curar as pessoas. Mas quando sua mãe a convidava para ir aos cemitérios e aprender rituais,  ela sempre torcia o nariz.

gatora strega andando na florestaUma certa noite, sua mãe, Dona Lola, a levou para para praticar necromancia com os corpos nos túmulos do cemitério, mas a garota ficou com tanto pavor que saiu correndo dali, foi para casa, pegou suas coisas e fugiu. A adolescente andou tanto que foi parar num lugar que hoje é chamado de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Lá, bem no meio do mato, ela encontrou um casebre abandonado onde cresciam ervas com propriedades curativas. Naquele local ela socorreu uma senhora, que havia caído e fraturado o braço, através de seus conhecimentos ocultos. No seu procedimento a garota pegou dois trapos, uma agulha, um fio e exclamou:

- Agora seu osso voltará ao normal, pois ele se fechará como o tecido que eu costuro. Dito isto, a menina começou a fazer umas invocações muito fortes em aramaico e Latim enquanto trançava a linha no pano. O braço daquela senhora ficou tão bom quanto o de uma jovem de 18 anos.

Os moradores  tomaram conhecimento dessa ocorrência e  passaram a frequentar a casa de Constantina, no meio da floresta, sempre que precisavam, afinal naquela época a região era carente de médicos e hospitais. Porém sempre quando alguém chegava, de noite, na casa dela não via a presença da moça e sim de uma mulher muito idosa, que sempre afirmava que a garota tinha saído. Assim a anciã identificava-se como sendo sua tia-avó e também ajudava com orações e ervas. Mas, as pessoas, notaram que quando procuravam Constatina de dia a menina sempre estava lá, mas não havia nem rastro da idosa na casa.

menino observando transformação da bruxa stregaUm certo dia, lá pelas seis da tarde, um rapazinho chamado Pedro foi buscar ajuda de Constantina para sua mãe doente. Ao colocar a cabeça na janela, viu a garota gritando, se contorcendo e virando uma velha na sua frente. O pequeno correu assustado e contou o fato para todo mundo. Dizem que  a população, também apavorada, pois não entendiam aquilo tudo, se juntou e expulsou a moça que virava idosa. A partir daquele dia, Constantina fugiu de Campo Largo e voltou para Itália de onde nunca mais se teve notícia dela e a população de Curitiba seguia padecendo com suas enfermidades.

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